Caminho Central

Entre, e percorra pelo seu passo um território de gentes, jeitos e paisagens únicas.

Caminho Central

Percorrer os Caminhos de Santiago Alentejo e Ribatejo esconde a promessa de uma aventura, de descobertas inusitadas, do desvendar de uma história que a memória preservou, uma história que se desenrola a cada paragem. Percorrer os Caminhos é reviver essa história nas marcas que o passar do tempo não foi capaz de apagar, é transformar o viajante no espectador de uma narrativa que se conta no património material e imaterial, nas terras, vilas e curiosidades, na gastronomia, nas gentes e nos seus costumes, os que já foram e os que continuam a ser e, ao mesmo tempo, no participante da mesma, incapaz de resistir aos encantos que vai desvendado.

Mais do que caminhar, é conhecer uma terra de paisagens que, ainda que diferentes, partilham o facto de serem únicas, repetindo-se apenas nas recordações que delas ficam.

Conhecer os Caminhos de Santiago Alentejo e Ribatejo é, mais do que uma viagem, uma experiência que marca, que fica, que se guarda. E que se quer repetir.

Ameixial (Algarve) Santa Cruz

“… os vestígios identificados confirmam o trânsito de peregrinos pela antiga estrada romana que atravessa a serra do Caldeirão em Santa Cruz de Almodôvar; outrora uma das rotas mais utilizadas na ligação entre o Algarve e o Alentejo, por ela terá vindo D. Afonso III, à frente do seu exército, em 1249, para conquistar Faro e Albufeira.” (José António Falcão, “O Caminho e o Culto de Santiago no Alentejo Meridional”, in No Caminho sob as Estrelas – Santiago e a Peregrinação a Compostela, pp. 97-141).

Santa Cruz Almodôvar

Saindo de Santa Cruz a paisagem transforma-se. À nossa frente estende-se agora, a perder de vista, o relevo suave da planície ondulada do Baixo Alentejo. As vistas alargam-se e antevê- -se uma etapa tranquila, propícia à contemplação.

Sucedem-se extensas searas em propriedades não cercadas, como já é raro observar no Alentejo, emolduradas por magníficas azinheiras seculares, sobreiros e plantações de pinheiro manso.

Almodôvar Castro Verde

Castro Verde começou por ser um pequeno povoado nos imensos campos de Ourique, como esta parte do Baixo Alentejo era conhecida no século xiii. A localização estratégica na rede viária regional levou à sua elevação como município e como comenda da Ordem de Santiago.

Foi também local de destino da transumância vinda de lugares distantes, como a serra da Estrela, chegando sazonalmente à região rebanhos consideráveis que estanciavam na vasta planície que se estendia a sul da aldeia de Entradas.

Castro Verde Messejana

“Alentejo, Alentejo, Vastidão de Portugal, Futuro, continental! Terra lavrada, que vejo, a ser mar mas sem ter sal”, escrevia Miguel Torga num dos seus poemas da Ode ao Alentejo. Este “mar” pode bem ser o imenso território denominado “Campo Branco”, dito “de Ourique” nos séculos xvi e xvii, quando eram o destino para as pastagens de inverno dos grandes rebanhos vindos da serra da Estrela, tendo, por isso, o fenómeno da transumância marcado fortemente o concelho.

Messejana Fornalhas Velhas

“… A aldeia de Fornalhas Velhas, implantada nos férteis campos do Vale de Santiago, entre o rio Sado e a ribeira de Campilhas, era, como o nome indica, propriedade da Ordem de Santiago. De resto, pertence mesmo à freguesia de Vale de Santiago, localidade que deve o seu nome ao facto de a Ordem de Santiago ter sido proprietária deste trecho de território, inicialmente vinculado a Santiago do Cacém…

Fornalhas Velhas São Domingos

“… Relembramos a história do Vale de Santiago, que conta que, durante a crise de 1918, os trabalhadores rurais da região se uniram em rebelião e iniciaram aqui a primeira comuna anarquista. Tornaram-se vegetarianos e naturistas, dedicavam-se à agricultura e fabrico de calçado. Com duração curta, porém, pois foram alvo de perseguições e repressões policiais, e acusados de encorajar as greves rurais que mais tarde ocorreram…”

São Domingos Santiago do Cacém

“… Doada à Ordem de Santiago por D. Sancho I, em 1186, Santiago do Cacém foi o primeiro ponto avançado dos espatários no sul do país, à época em que a sede da ordem estava no castelo de Palmela. A vila, que tinha sido conquistada em 1158, acabou por cair em mãos muçulmanas naquele final do século XII e só entrou na definitiva posse portuguesa em 1217, após a conquista de Alcácer do Sal …”

Santiago do Cacém Roncão

“… Hoje pertencente à freguesia de S. Francisco da Serra, a formação da aldeia de Roncão, como de toda a freguesia, remonta ao período medieval e deve-se à Ordem de Santiago de Espada. …”

Roncão Grândola

“…Nesta vila imortalizada pelo poeta e cantor Zeca Afonso na música Grândola Vila Morena, que serviu de hino simbólico durante a revolução de 25 de Abril de 1974, podemos ainda visitar a igreja matriz, mas, se o tempo estiver de feição, bom mesmo será aproveitar e dar um salto até à costa atlântica, para um refrescante mergulho, um pôr-do-sol fantástico e um belo repasto de peixe fresco …”

Grândola Alcácer do Sal

“…Após atravessar o rio Sado por barca, os viajantes que chegavam a Alcácer do Sal deparavam com a estreita linha de terra entre o rio e o castelo. A relevância estratégica do rochedo de Alcácer levou a que a localidade tivesse sido entregue à Ordem de Santiago antes de 1172 e de novo em 1217, após a conquista definitiva pelas tropas portuguesas. Entre essa data e 1235, Alcácer do Sal transformou-se na sede dos santiaguistas em Portugal e, nos séculos seguintes, aqui esteve sediada a estrutura dirigente dos espatários portugueses…”

Alcácer do Sal Casebres

“…A presença humana na área que hoje compõe a freguesia de São Martinho, cuja sede se localiza nos nossos dias na aldeia de Casebres, remonta a meados da Pré-História.

Contudo, é só após a conquista definitiva de Alcácer do Sal que a região e os topónimos mais importantes começam a surgir na documentação histórica e que nos nossos dias servem de referência e de orientação geográfica para quem habita este território e para quem nos vista….”

Casebres Vendas Novas

“…Tendo Vendas Novas como destino, o Caminho leva-nos a atravessar Cabrela, cuja relevância estratégica ditou que, antes de 1220, tivesse sido doada à Ordem de Santiago para ser um posto intermédio entre a península de Setúbal e o Alentejo.

Nela encontra-se a igreja matriz, cuja atual configuração é resultado de uma construção do século XVII, que terá substituído o templo de origem medieval, presumivelmente localizado num sítio próximo conhecido por Outeiro da Igreja. Na fachada principal, uma discreta composição artística integra a cruz da Ordem de Santiago e a porta ostenta o ano de 1704, possivelmente a data em que finalizaram as obras. No interior, sobressai o retábulo tardo–barroco de talha dourada, de c. 1790, bem como duas imagens góticas de Santa Margarida e São Sebastião, procedentes de antigas capelas da vila…..”

Vendas Novas Branca

“…Na Branca estamos de passagem pelo concelho de Coruche, o décimo maior do país e que chama a si o título de “Capital Mundial da Cortiça”, pois daqui se extrai 10% da cortiça de Portugal e saem 5 milhões de rolhas por dia. Mais de metade do concelho é floresta, num montado misto, de sobreiro e pinheiro manso, os quais asseguram a cortiça, a madeira e o pinhão de qualidade, mas garantem igualmente o ecossistema e as pastagens adequadas para explorações de gado bravo…”

Branca Santo Estevão

“…Santo Estevão é uma freguesia rural situada a 16 quilómetros de Benavente (sede do concelho). Com uma área total de 62,41 km2e cerca de 2000 habitantes, de acordo com os Censos de 2011, o território, além do aglomerado urbano, compreende muitas áreas de cultivo e pastagem e situa-se na margem direita do rio Almansor. A 5 quilómetros da aldeia encontra-se o lugar de Foros de Almada, parte integrante da freguesia…”

Santo Estevão Samora Correia Benavente

“…Samora Correia deve o seu nome a D. Paio Peres Correia, conquistador de grande parte do sul de Portugal na primeira metade do século XIII e grão-mestre da Ordem de Santiago.

A localidade foi comenda santiaguista desde, pelo menos, 1270. A configuração da igreja matriz é resultado de uma grande campanha reconstrutiva, iniciada em 1718 e concluída muito rapidamente. O interior foi revestido com azulejos datados de c. 1724 e atribuídos ao mestre lisboeta P.M.P., que constituem um dos mais completos programas iconográficos dedicados à vida e legenda apostólica de Santiago na Península Ibérica, peregrino e pregador, que batizou o seu algoz Josias, que converteu Hermógenes e que derrotou um grupo de pedreiros que construíam uma igreja (um templo pagão?) contrária às normas da Igreja…”

Benavente Muge

“…O Caminho até Muge passa por Salvaterra de Magos onde, entre as obrigações dos novos moradores de Salvaterra de Magos, agraciados com foral por D. Dinis em 1295, estava a de edificarem uma igreja matriz.

O edifício foi objeto de várias campanhas modernizadoras, uma das quais no século XVI, época a que pertence a pia batismal. Danificado no terramoto de 1755, o projeto de reconstrução da igreja matriz de São Paulo integrou revestimentos azulejares de oficinas lisboetas e telas do pintor Bento Coelho da Silveira. É uma igreja monumental, cuja fachada foi concebida para conter duas torres nunca construídas. De 1825 é o órgão de tubos, da autoria do mais célebre construtor de órgãos da altura, António Machado e Cerveira…”

Muge Santarém

“…No concelho de Almeirim, antes da chegada à ribeira de Santarém, a Igreja de Santa Marta, em Benfica do Ribatejo, inspira uma visita. Foi construída no século XVIII como capela da Quinta de Santa Marta, extensa propriedade agrícola que dominou a região desde o final da Idade Média. O conjunto foi totalmente restaurado em finais do século XX, como atesta inscrição comemorativa colocada na fachada principal…”

Santarém Golegã

“…Disse José Saramago, após o seu périplo que deu origem à obra Viagem a Portugal, que “o fim de uma viagem é apenas o começo de outra. É preciso ver o que não foi visto, ver outra vez o que se viu já, ver na primavera o que se vira no verão, ver de dia o que se viu de noite… É preciso voltar aos passos que foram dados, para os repetir, e para traçar caminhos novos”. Falasse ele em sentido figurativo e dir-se-ia estar a referir-se aos Caminhos de Santiago, de que não há notícia que tenha percorrido mas que, coincidentemente, atravessam a Azinhaga, aldeia ribatejana onde José Saramago nasceu em 1922…”

Golegã Tomar

“…Golegã é uma vila do Caminho, não somente no sentido literal, mas sobretudo porque se notam um pouco por todo o lado os sinais associados à presença e passagem dos viajantes que rumam a Santiago de Compostela. Sendo uma vila mais pequena e pacata que Santarém, facilita a convivência entre as pessoas que chegam a ritmo contínuo, de diferentes nacionalidades e gerações, e aparecem os serviços direcionados para peregrinos. A isso acresce o ambiente rural e pitoresco, a simpatia das pessoas e, como não podia deixar de ser, a boa oferta gastronómica. Está-se bem na Golegã!..”

Saberes e Tradições

Falar de Património Cultural Imaterial é falar das expressões culturais que integram a história social e cultural das comunidades do Alentejo e do Ribatejo. Expressões que se traduzem nos saberes, nas tradições, nas vivências que lhes deram origem, expressões em forma do artesanato, das festas e romarias, da arte, da tradição. É esta matéria-prima rica, diversa, autêntica, que o visitante encontra ao percorrer estes Caminhos, uma viagem que se faz a partir do contacto com manifestações portadoras de um capital simbólico, reconhecido mundialmente, que proporciona uma experiência ao mesmo tempo estimulante e memorável.

São quatro as manifestações do Património Cultural Imaterial do Alentejo e Ribatejo reconhecidas pela UNESCO, que as integrou numa lista maior, representativa do Património Cultural Imaterial da Humanidade, que o viajante pode conhecer ao percorrer estes Caminhos. Como o Cante Alentejano, que dispensa apresentações. Uma forma de expressão musical que, mais do que música, é uma partilha de sentimentos, da saudade ao amor, onde também cabe a ironia e o humor, onde as vozes se unem de uma forma melancólica, envolvendo quem as ouve. Presente em quase todo o Alentejo, esta forma de arte tem em Serpa e Beja os locais onde é mais emblemática.

Dos Chocalhos à Falcoaria

Com epicentro na freguesia de Alcáçovas, em Viana do Alentejo, onde ainda se produzem, os chocalhos, ou melhor, a sua manufatura, mereceu também o reconhecimento da UNESCO, que transformou esta arte em património imaterial, reconhecendo a sua fragilidade e a dificuldade que encontra para se manter viva, tendo em conta a crescente globalização. Usados para assinalar a presença do gado, são a música do campo que recusa ser calada pela força de uma modernidade que lhes quer roubar o uso.

No Ribatejo, a arte da Falcoaria tem o coração em Salvaterra de Magos e remete aos tempos em que a família real portuguesa por ali passava longas temporadas dedicadas à caça. Com uma ligação ao estuário do Tejo, que lhe serve de habitat, é hoje palco do centro de educação e interpretação ambiental, onde se encontra também o ”museu do rio” Cais da Vala.

Feito de barro, o Figurado de Estremoz conquistou também o reconhecimento da UNESCO, sendo agora património imaterial, primeiro do País, depois da Humanidade. Resultado de uma técnica com mais de 300 anos, dele nasceram e continuam a nascer muitas figuras de barro cozido, policromado, feitas à mão. A passagem por Estremoz dá a conhecê-las, seja no Museu Municipal ou nas várias lojas e oficinas que as vendem.

Festas, Feiras e Romarias

O calendário das festas no Alentejo e Ribatejo é rico. Rico em animação, rico em música, rico em cor. Das ruas engalanadas para o efeito, decoradas a preceito, aos palcos montados para receber a música que não pode faltar, os Caminhos permitem que os visitantes conheçam as tradições festivas, que se apresentam de formas muito variadas e até surpreendentes, da festa total, que envolve e mobiliza a comunidade, às várias expressões de danças e coreografias tradicionais, que vão do fandango, que se dança no Ribatejo e no Alentejo, às saias e títeres alentejanos. Como a Feira de S. João, em Évora, que se realiza há 500 anos, a Romaria a Nossa Senhora da Graça, em Nisa, ou a Feira do Cavalo, na Golegã, que remonta ao século xvi.

Castelos, Museus e muita Natureza

Mais do que apenas etapas, as diferentes paragens que compõem os Caminhos de Santiago Alentejo e Ribatejo são oportunidades para conhecer as vilas e cidades, os segredos que escondem, a arquitetura, os museus, a sua história. A cada paragem, aproveite para visitar os pontos de interesse. O difícil será escolher.

No Alentejo

O Caminho Central inclui passagem por Santa Cruz, onde a Igreja Paroquial, construída no século xvi, esconde uma representação iconográfica de “Cristo no Horto” pouco comum, onde se consegue ver representada a transmutação do suor em sangue. Mais à frente, na vila medieval de Almodôvar, a paisagem ribeirinha convida a que se apreciem as águas límpidas que atravessam a Ribeira do Vascão, inserida na Zona de Proteção Especial do Vale do Guadiana e salpicada por moinhos de água e açudes. Com atenção e alguma sorte, talvez seja possível avistar alguns espécimes raros.

Na vila, o Museu Arqueológico e Etnográfico Manuel Vicente Guerreiro revela-se como a oportunidade de conhecer, através das peças etnográficas, as formas de viver na planície e na serra alentejana, as tradições, profissões e atividades rurais, assim como a história mais antiga, graças ao espólio encontrado na Estação Arqueológica das Mesas do Castelinho.

Porque os Caminhos de Santiago são muito mais do que apenas caminhar, a barragem de Campilhas, em Santiago do Cacém, construída em 1954, revela-se como a oportunidade de praticar inúmeros desportos náuticos não motorizados e pesca desportiva.

O Caminho continua, com passagem por Alcácer do Sal, que esconde um dos mais importantes exemplares da arquitetura renascentista nacional: a Capela das Onze Mil Virgens. De mármore branco, com uma cúpula coberta por um jaspe translúcido que deixa penetrar os raios de sol, desdobrando-os em jogos de cor na geometria das formas esculpidas, a sua construção é atribuída a António Rodrigues, arquiteto do reinado de D. Sebastião, que recebeu influências da mestria italiana de Miguel Ângelo. Uma cidade onde se pode conhecer também a Lenda da Costureirinha, contada um pouco por todo o Baixo Alentejo, onde são muitas as pessoas que dizem já ter ouvido o som de uma máquina de costura que trabalha sem parar. Reza a lenda que se trata de uma costureira que costura por toda a eternidade depois de ter feito um vestido de noiva para a filha, que morreu antes do casamento.

A viajar pelo Ribatejo

Para os amantes da natureza, a passagem por Benavente traz consigo a oportunidade de se dedicar ao birdwatching e conhecer, nos campos e searas, espécies escassas ou pouco abundantes, que ocorrem tipicamente neste tipo de meio. Os vales aluvionares ligados aos rios Tejo, Sorraia e Almansor, funcionam como autênticas ilhas ao interromperem a secura característica dos montados. A zona ribeirinha, que acompanha o Tejo e todas as áreas encharcadas, constitui-se como a zona de maior diversidade biológica, onde é possível avistar aves aquáticas migradoras da Europa, espécies migradoras que vêm do Sul, como os perna-longa e os rouxinóis-dos-caniços.

Em Santarém, a Igreja da Misericórdia, construção dos meados do século xvi (1559), convida a uma visita. Trata-se de um exemplar perfeito de igreja-salão, de três naves, com abóbadas de nervuras cruzadas iluminadas por seis janelas retangulares. Nela encontra a sepultura rasa de Nuno Velho Pereira, uma das personalidades mais significativas da época da expansão portuguesa no mundo, capitão da Índia e patrocinador da Santa Casa da Misericórdia. E encontra também um Órgão de Tubos, restaurado em 2008, mas datado de 1818.

E é na capital ribatejana que encontra também a Porta de S. Tiago, a principal do Castelo de Santarém, onde se pode observar um brasão de armas fernandino de Portugal, assim como as Portas do Sol, hoje tornadas janela panorâmica, assente sobre muralhas e com três torreões.

Os Caminhos são também feitos, tal como a história, de episódios por confirmar, tornados lendas, como a da Torre das Cabaças, que conta que, no reinado de D. Manuel, não existindo em Santarém uma Torre de Relógio, lhe foi pedido que a tornasse possível. Um pedido que justificou a doação de uma verba para que a mesma fosse construída, tendo sido designados como “administradores” da obra oito vereadores locais. Mas concluída a mesma, em vez de satisfação, o rei não escondeu o seu desagrado, considerando terem sido mal gastos os dinheiros públicos. Assim, no topo da torre, na armação férrea onde está suspenso o sino, o rei mandou colocar oito cabaças, símbolo das oito cabeças dos responsáveis pela edificação.

Quase a terminar o Caminho Central, apresenta-se a Golegã, ponto de paragem obrigatório desde os primórdios da nacionalidade, por aqui se encontrar uma albergaria, pertença de uma mulher da Galiza, conhecida como “Venda Galega”, que terá dado origem, mais tarde, ao nome “Golegã”. Terra de cavaleiros e cavalos, vale a pena conhecer o Centro Cultural Equuspolis, com a sua Biblioteca do Cavalo, o Fórum Manuel Fernandes ou o Museu Municipal Mestre Martins Correia.