Valência de Alcântara – Marvão
Entre, e percorra pelo seu passo um território de gentes, jeitos e paisagens únicas.
Valência de Alcântara – Marvão
Pelo Caminho de Santiago de Valência de Alcântara a Marvão, o peregrino percorre uma das mais antigas e silenciosas memórias da Península Ibérica, onde a fronteira sempre foi mais promessa do que obstáculo.
Entre Valência de Alcântara e Marvão, a linha de fronteira sempre foi ténue e permeável.
Por estes caminhos de terra batida e de pedra posta, a distância é curta, mas o tempo é longo nas suas veredas entre picos e vales, bosques e escarpas, onde as muralhas medievais, de origem árabe e alma cristã, guardam séculos de história comum entre dois reinos
De Valência de Alcântara se sabe, ser uma vila extremenha de raízes celtas e romanas, marcada pela presença árabe e pela ação das Ordens Militares na reconquista cristã desta Raia. Do outro lado da fronteira, fica a vila de Marvão, nome que perpetua a memória de Ibn Maruan, senhor árabe que no século IX ergueu um reino independente num local de difícil acesso que nenhum exército ousou tomar de frente.
No século XV, famílias sefarditas em fuga da Inquisição espanhola encontraram nestas veredas o caminho para sua segurança em Portugal. Mais tarde, na calada da noite, os mesmos trilhos encheram-se de contrabandistas – o café, o tabaco e a esperança em forma de mercadoria – numa cumplicidade silenciosa entre as gentes da Raia.
Ainda, mais recente na memória, a diáspora clandestina daqueles que fugiam de um futuro hipotecado pela ditadura, cruzando a fronteira em busca de vida e liberdade.
Por aqui, os ritmos são os da Serra Alentejana e da Planície Extremenha, do silêncio que fala e de horizontes que guardam segredos. Gentes de fronteira, resilientes e hospitaleiras, descendentes de gerações que transformaram a travessia em arte de viver.

