Caminho Nascente

Cabeço de Vide < > Alter do Chão

Etapa 15

A caminho de Alter do Chão passamos por Alter Pedroso, que recebeu foral em 1216 e deve ter sido a partir dessa data que se ergueu o castelo, possivelmente por iniciativa da Ordem de Avis, em cujas possessões a vila se implantava. Desconhece-se a marcha das obras nas décadas seguintes, sabendo-se apenas que, em 1662, em plena guerra entre Portugal e Espanha, a fortaleza estava totalmente desguarnecida e foi arrasada pelas tropas invasoras. É muito pouco o que resta da fortificação, limitada a vestígios de muralha, que formavam um perímetro originalmente elíptico, e a principal porta de acesso ao interior, de perfil gótico. Também no interior do recinto subsistem restos de uma primitiva igreja dedicada a São Bento, de onde procede a imagem do santo que se encontra na igreja de Nossa Senhora das Neves. Ainda é também visível uma cisterna, seguramente medieval, e o cemitério da localidade, desativado no século XIX e que deve ter sido implantado sobre a necrópole paroquial medieval.

Já em Alter do Chão, fundado como concelho em 1232, no reinado de D. Sancho II, encontramos o Chafariz dos Bonecos, construído em 1799 por iniciativa da Câmara local, que promoveu também a chegada das águas ao tanque. É um chafariz de monumental espaldar, tripartido, com eixo central a dois registos, o superior bastante decorado com cartelas que integram inscrições alusivas à construção e medalhão de estilo rococó, com a efígie do príncipe regente D. João (futuro D. João VI). Os primeiros frades franciscanos chegaram a Alter do Chão em 1614 e ocuparam o que viria a ser o convento de Santo António em 1617, depois de o cenóbio ter sido fundado por D. Teodósio II, duque de Bragança. O convento cresceu em importância e património, tendo sido objeto de grandiosas obras no século XVIII. Nessa altura, acrescentaram-se alas conventuais, renovaram-se elementos devocionais no interior da igreja e abriu-se a capela do Senhor dos Passos. A igreja é de nave única, antecedida por nártex encerrado e fachada monumental de três registos, o último dos quais puramente decorativo e destinado a reforçar a verticalidade da frontaria.

No interior, destaca-se o retábulo-mor, em mármore branco e preto. Após a extinção das ordens religiosas, em 1834, o convento foi vendido em hasta pública e albergou uma unidade fabril. Hoje, está convertido em unidade hoteleira.

De origem islâmica, o castelo de Alter do Chão recebeu novo impulso no reinado de D. Afonso II, quando a vila foi conquistada pelas tropas portuguesas, ao redor de 1216. O processo de povoamento estava em marcha em 1232, ano em que o bispo da Guarda passou carta de foral à vila. O castelo, que recebeu importantes obras na transição para o século xiv, foi mandado reformular por D. Pedro I por volta de 1357, como se depreende por uma inscrição que se encontra sobre a porta principal de acesso à fortaleza. A configuração do monumento é tipicamente gótica,com recinto de planta quadrangular, já plenamente racional. A torre de menagem associa-se ao portal principal e o seu interior é acessível apenas ao nível superior, por linha de adarve que percorre a muralha. A importância estratégica regional de Alter do Chão justificou a sua doação a Nuno Álvares Pereira, que promoveu novas obras no conjunto fortificado.

Igreja de Nossa Senhora das Neves

Igreja de Nossa Senhora das Neves
Construída no século XV, sobre um saliente afloramento rochoso, a igreja foi substancialmente transformada nos séculos XVII e XVIII. A fachada principal é austera, com portal de arco de volta perfeita sobrepujado por vertical janelão, enquanto do lado sul se ergue uma robusta torre sineira. O interior é de nave única, com cobertura de caixotões. O retábulo-mor é ainda de finais do século XVII, enquanto os retábulos laterais, que flanqueiam o arco triunfal, são já da centúria seguinte.

e também…

Feira de S. Marcos − Abril

Festas de Verão − Agosto

Centro Interpretativo da Estação Arqueológica de Alter do Chão

O Centro Interpretativo da Estação Arqueológica de Alter do Chão foi inaugurado em maio de 2010, sendo espaço de exposição para o material recolhido durante a intervenção arqueológica feita no âmbito do projeto de recuperação e no decorrer de outras intervenções.

A etapa de hoje é só aparentemente mais “curta” e fácil, mas serão cerca de 13 km por terrenos mais acidentados. Tão-pouco teremos qualquer ponto de abastecimento, com exceção de disponibilidade de água e WC em Alter Pedroso. Contudo, trata-se deum percurso com outros cambiantes naturais. Comemos e dormimos nas Termas da Súlfurea, à saída das quais atravessamos a estrada e viramos para a esquerda, numa rua asfaltada, desviando novamente para a esquerda, agora já em caminho de terra batida.

Atravessamos um portão que nos dá acesso aos domínios da herdade do Monte das Ferrarias e, sempre em frente, chegamos às instalações do monte. Atravessamos pelo meio sem reagir a alguns cães e, pouco depois, saímos da herdade e entramos no concelho de Alter do Chão. Findo um quilómetro de bosque de pinheiros mansos, desviamos à direita para um campo cerealífero, no qual o Caminho está pouco definido.

No final, uma porta d’homem permite-nos aceder ao terreno seguinte e, encostados à cerca, desviamos à esquerda até atravessarmos uma insignificante ribeira. Percorremos agora um montado disperso, quando, à nossa frente, dezenas de bovinos se deslocam vagarosamente. Sabemos que são mansos… exceto quando as fêmeas sentem as suas crias em risco! Caminhar devagar, em silêncio e sem gestos bruscos é a postura correta. E se algum vitelo mais curioso vier ter connosco, deveremos estancar até que lhe passe o atrevimento. O Caminho atravessa agora um descampado e somos obrigados a aguardar que a manada nos deixe prosseguir, subindo depois a colina até ao estradão particular da herdade, que atravessamos. Passado o portão por uma porta d’homem lateral, saímos da propriedade diretos ao centro desta tranquila aldeia, na Rua do Forno. Passamos na igreja, mas não saímos da aldeia pela Estrada da Fonte semantes subir às ruínas do antigo castelo e capela.

Distância 15 km


Altitude máxima 389 m


Altitude mínima x


Subida acumulada 242 m


Descida acumulada -246 m


Duração 3h45m


Dificuldade (0-5) 3

Descobrimos o marco geodésico e subimos, de acordo com a placa que indica “miradouro”. Com Alter Pedroso nas costas, iniciamos a descida pelo asfalto da Estrada da Fonte mas, logo que se apresenta a tabuleta indicadora, viramos à direita para a anta de Alter Pedroso. Mais à frente, encontramos a anta pré-histórica, as ruínas do monte e uma portada à esquerda, na cerca, que dá acesso ao estradão que corre do lado norte do Monte dos Tapadões. Pouco mais de um quilómetro até à vila, na qual entramos pela estrada junto ao cemitério.

Dicas

Leve sempre água, mantimentos,protetor solar, chapéu, impermeável, calçado confortável e um mapa.

Apoio

 Banco/ATM

 CTT

 Posto de Turismo de Sousel

 Táxi

Alojamento

 Estalagem Varandas de Alter

 Casa Arlindo Correia

 Hotel Convento D’Alter

Entidades Municipais

 Câmara Municipal de Alter do Chão
+351 245 619 160

 Junta de Freguesia de Alter do Chão
+351 245 612 385

Saúde

 Centro de Saúde de Alter do Chão
+351 245 619 160

 Farmácia

Pontos de Interesse

 Igreja do Convento de Santo António

 Igreja do Senhor Jesus do Outeiro

 Igreja de S. Francisco

 Capela e Hospital da Misericórdia

 Capela de Santana

 Villa Romana da Quinta do Pião

 Largo Barreto Caldeira

 Necrópole Tardo-Antiga

 Casa do Álamo e Jardins

 Coudelaria de Alter: Casas Altas

 Ruínas das Muralhas do Castelo de Seda

 Clube do Património

 Ponte Romana de Vila Formosa

 Vestígios do Castelo de Alter Pedroso

 Casa da Medusa (Estação Arqueológica de Alter do Chão)

 Castelo de Alter do Chão

CONTACTOS ÚTEIS

Emergência: 112
Incêndios Florestais: 117
Associação Humanitária de Bombeiros Voluntários de Alter do Chão +351 245 612 314
Guarda Nacional Republicana +351 245 612 162

CÓDIGO DE CONDUTA

Não saia do percurso marcado e sinalizado. Não se aproxime de precipícios. Preste atenção às marcações. Não deite lixo orgânico ou inorgânico durante o percurso, leve um saco para esse efeito. Se vir lixo, recolha-o, ajude-nos a manter os Caminhos limpos. Cuidado com o gado, não incomode os animais. Deixe a Natureza intacta. Não recolha plantas, animais ou rochas. Evite fazer ruído. Respeite a propriedade privada, feche portões e cancelas. Não faça lume e tenha cuidado com os cigarros. Não vandalize a sinalização dos Caminhos.