Caminho Nascente

Evoramonte < > Estremoz

Etapa 11

Até Estremoz teremos mais uma jornada de longa intimidade com a floresta de sobro e azinho, serpenteando por entre o verde sombrio dos montados e o edificado das escassas herdades. É fundamental que nos preparemos, tanto de abastecimento físico como de robustez mental, pois não é previsível que encontremos qualquer tipo de apoio pelo Caminho.

Na cidade a presença religiosa é bastante profusa, com a presença da Igreja e das ordens religiosas, com conventos, igrejas, capelas e ermidas espalhados pelo concelho. É disso exemplo a igreja de Santiago de Estremoz, fundada no reinado de D. Afonso III, cuja construção, no limite noroeste do perímetro muralhado e num terreiro que se haveria de chamar “do Loureiro”, significou a constituição de um elemento definidor do urbanismo de Estremoz, e aglutinador de um bairro chamado “Santiago”. Apesar das grandes transformações pelas quais o templo passou, sobretudo no século XVII, ainda é possível observar na fachada principal a cruz da Ordem de Avis.

No museu municipal, logo pomos de parte os atrativos exteriores para, nas palavras de José Saramago, “(…) poder maravilhar-se, à vontade, com os bonecos de barro que de Estremoz tomaram o nome. Maravilhar-se, diz ele, e não há termo melhor.(…) O viajante não sabe para onde virar-se (…)”. E termina inventando “A Estremoz irás, seus bonecos verás, tua alma salvarás” (in Viagem a Portugal).

A cidade revela ainda a estátua da Rainha Santa Isabel, da autoria do escultor Martins Correia, que evoca a importância de D. Isabel de Aragão para Estremoz. A rainha, mulher de D. Dinis, elegeu Estremoz como local de residência durante largas temporadas, e aqui faleceu,no dia 4 de julho de 1336. Foi peregrina a Santiago de Compostela em 1325, pouco depois da morte de D. Dinis, e subsistem indícios que apontampara uma segunda peregrinação em 1335. A lista de milagres que lhe foram atribuídos mereceu a anuência papal de Leão X em 1516,e a rainha foi canonizada em 1625.

Integrada na pousada de Estremoz, a capela da Rainha Santa Isabel também evoca a importância da memória da Rainha Santa Isabel para a história de Estremoz. O oratório foi construído em 1659 pela rainha D. Luísa de Gusmão, mas o conjunto vale, no entanto, pelasmagníficas obras realizadas por iniciativa de D. João V, entre as décadas de 20 e 30 do século XVIII, que conferiram o aspeto de arte total ao templo. Em pinturas a óleo atribuídas a André Gonçalves e painéis de azulejo de Teotónio dos Santos ilustram-se os milagres de Santa Isabel de Aragão.

A importância da rainha santa para a população de Estremoz ficou ainda testemunhada pela inscrição de 1808 que acompanha o corode mármore da capela, na qual oshabitantes de Estremoz agradecem a intervenção divina de Santa Isabel pela proteção concedida durante as invasões francesas.

Museu Municipal Professor Joaquim Vermelho
Num edifício cuja construção data do século XIII/XIV, sofrendo reformas nos séculos seguintes, pode visitar a exposição permanente, que se divide por dois pisos, estando no cimeiro coleções de arte popular (chifre, cortiça e madeira) de artesãos como Mestre Rolo, José Vinagre, ou Joaquim Velhinho. Apresenta-se também a reconstituição de uma Casa Alentejana de finais do século XIX e, no rés-do-chão, as coleções de figurado de Estremoz e de olaria local das últimas duas décadas do século XIX e início do século XX.

e também…

Feira Tradicional de Estremoz − Maio

Festa da Rainha Santa Isabel − Julho

Feira Tradicional de Santiago − Julho

Festas da Exaltação de Santa Cruz − Setembro

Festas de N. Sr.ª dos Mártires − Setembro

Bonecos de Estremoz

A Produção de Figurado em barro, vulgarmente conhecida como “Bonecos de Estremoz”, é uma arte com mais de três séculos e que faz parte da identidade cultural deste concelho. Estão inventariadas mais de cem figuras diferentes e todos os dias se inventam novas temáticas, sempre relacionadas com o quotidiano das gentes alentejanas, na sua vivência rural e urbana. As mãos habilidosas que trabalham o barro dão vida às emblemáticas figuras que, com as suas cores garridas e formas únicas, encantam quem por aqui passa.

De costas para o largo central, atravessamos a estrada e entramos na Rua das Correias, seguindo logo à esquerda as placas que indicam Ermida de S. Brás. Vamos subindo até encontrarmos o portão do Monte da Alagoinha, para então aceder, à esquerda, por um caminho de terra batida para a Herdade da Junceira, ao longo de 6 km.

No meio do montado de sobro, vemos as marcas das recolhas periódicas da valiosa cortiça, transformada em rolhas, cocharros e muitos outros artigos.

Da vizinha Herdade da Defesa continuamos pelo trilho entre o montado e atravessamos o planalto, agora também já com olivais e vinhedos alinhados. As Herdades da Junceira e da Defesa são zonas de referência para os aficionados da caça, mas agora os terrenos cercam-se para proteger o gado e as culturas, e somos forçados a desviar e a entrar na estrada (N381), junto a um viaduto sobre a ribeira de Tera, felizmente com pouco trânsito. No percurso, a paisagem é de “mosaico”, em que o amarelo do restolho alterna com os vinhedos avermelhados no período do outono. Após quase 3 km, frente a uma quinta com uma atípica moradia de planta circular, desviamos para a esquerda, para o caminho de terra batida. Mais à frente avistamos a autoestrada e passamos pelo túnel inferior, seguindo sempre o estradão em macadame até um cruzamento.

À direita vemos Estremoz no horizonte! Outra passagem pelo autoestrada, agora sobre um viaduto e, sempre em frente, alcançamos o agitado cruzamento da estrada nacional N4.

Distância 25 km


Altitude máxima 493 m


Altitude mínima x


Subida acumulada 662 m


Descida acumulada -608 m


Duração 7h00m


Dificuldade (0-5) 4

Pela esquerda percorremos 150 m ao longo da berma e, com muito cuidado, atravessamos a N4 para o outro lado, junto à casa branca de listas azuis na esquina, e vemos a continuação do nosso caminho a subir para as muralhas de Estremoz.

Após ligeira subida, alcançamos a muralha abaluartada e penetramos nesta fortificação pela Porta de Évora. Pela direita, prosseguimos o caminho de pedra, junto à muralha, e entramos no Castelo pela Rua do Arco de Santarém. Dentro da muralha da cidadela dirigimo-nos ao Museu Municipal para obter informação.

Dicas

Leve sempre água, mantimentos,protetor solar, chapéu, impermeável, calçado confortável e um mapa.

Apoio

 Banco/ATM

 CTT

 Posto de Turismo/Casa de Estremoz
+351 268 339 227

 Centro Social Paroquial de Santo André de Estremoz
+351 268 324 842

 Supermercado

Entidades Municipais

 Câmara Municipal de Estremoz
+351 268 339 200

 Junta de Freguesia União de Freguesias de Estremoz (Santa Maria e Santo André)
+351 268 323 577

Saúde

 Centro de Saúde de Estremoz
+351 268 337 700

 Farmácia

Pontos de Interesse

 Museu Municipal de Estremoz Prof. Joaquim Vermelho

 Palácio dos Marqueses de Praia e Monforte

 Castelo de Estremoz

 Produção de Figurado em Barro “Bonecos de Estremoz”

 Centro de Ciência Viva

 Lago do Gadanha

Antiga Casa da Câmara/ Casa Alcaide-Mor

 Bairro de Santiago

 Capela da Rainha Santa Isabel

 Igreja de Santiago

 Igreja de Santa Maria

 Igreja de São Francisco

 Montado Alentejano

 Serra d’Ossa

 Vinhas

CONTACTOS ÚTEIS

Emergência: 112
Incêndios Florestais: 117
Bombeiros Voluntários de Estremoz +351 268 337 360
Proteção Civil de Estremoz +351 268 080 250
GNR: Posto Territorial de Estremoz +351 268 322 804
Polícia de Segurança Pública de Estremoz +351 268 338 470

CÓDIGO DE CONDUTA

Não saia do percurso marcado e sinalizado. Não se aproxime de precipícios. Preste atenção às marcações. Não deite lixo orgânico ou inorgânico durante o percurso, leve um saco para esse efeito. Se vir lixo, recolha-o, ajude-nos a manter os Caminhos limpos. Cuidado com o gado, não incomode os animais. Deixe a Natureza intacta. Não recolha plantas, animais ou rochas. Evite fazer ruído. Respeite a propriedade privada, feche portões e cancelas. Não faça lume e tenha cuidado com os cigarros. Não vandalize a sinalização dos Caminhos.