Caminho Nascente

Mesquita < > Mértola

Etapa 2

Saímos da aldeia entre os ancestrais muros de pedra que já então conduziam as gentes para Mértola. Entramos na área protegida do Parque Natural do Vale do Guadiana e, com o Algarve cada vez mais longe, percorremos o caminho para norte, em direção ao Alentejo profundo. Aqui, é de notar os verdes dos matagais de zimbro e o singular montado de azinheiras. Na primavera adiciona-se o amarelo e o rosa, proveniente das centenárias tamargueiras em flor. Respiramos o ar puro e seguimos caminho!

Igreja Matriz de Mértola

Igreja Matriz de Mértola
A antiga mesquita de Mértola é o mais relevante monumento da localidade. Data da segunda metade do século XII e na construção foram reaproveitados elementos romanos e outros mais tardios. Ainda hoje se conservam dois capitéis islâmicos do século IX, reaproveitados de uma outra mesquita que existiu na cidade. Na origem, a mesquita era maior que o atual templo, e ainda se conservam quatro arcos em ferradura e o mirhab, nicho orientado para Meca e para onde os crentes dirigem as suas orações. Com a conquista pela ordem de Santiago, os novos senhores transformaram a mesquita em igreja e impuseram o seu símbolo na fachada. No interior, a atual feição da cobertura, em abóbada data da época manuelina, tendo substituído a anterior solução em madeira. Reduziu-se então o templo para quatro tramos em vez dos seis originais, e construiu-se um novo portal principal, já renascentista e da autoria do escultor André Pilarte, à época estabelecido no sotavento algarvio. O promotor destas obras foi o comendador D. João de Mascarenhas, cuja memória ficou imortalizada numa mísula do interior, que contém um busto humano e a inscrição “IOANE”.

Mértola

Mértola foi a sede portuguesa da Ordem de Santiago desde 1248 (dez anos depois da conquistada cidade pelos espatários) e 1482. Na verdade, desfrutou do estatuto de sede apenas até 1316, pois terminada a conquista do Algarve os santiaguistas preferiram reforçar o património que detinham em Alcácer do Sal, apesar da “capital” continuar a ser em Mértola. A Ordem deixou profundas marcasna história e no património da cidade, sendo de destacar a construção da igreja de Santiago (hoje núcleo de arte sacra do museu municipal) e o patrocínio artístico da família Mascarenhas, comendadores espatários da vila.

O portal da igreja da Misericórdia/Núcleo de Arte Sacra (Antiga Igreja de Santiago) data de 1558, período aproximado para a construção do templo e para a criação da Misericórdia de Mértola. A igreja tem, porém, uma origem anterior. Uma visitação realizada em 1565 esclarece que havia sido dedicada a Santiago até que os moradores aí instituíram a Misericórdia. Era a igreja mais próxima do porto medieval da cidade, ao qual se acedia pela Porta da Ribeira. A atual feição do templo data de uma reforma realizada no século XVII e a sua adaptação a núcleo museológico de arte sacra ocorreu na década de 90 do século XX, altura em que se estabeleceu o museu polinucleado de Mértola.

Também o retábulo da antiga igreja de Santiago, datado do final do século XVI e atribuído ao pintor Júlio Dinis de Carvo, é mais uma obra de arte que evoca a figura de Santiago como “Matamouros”. O apóstolo está montado num cavalo branco e tem a espada desembainhada, enquanto com a outra mão segura o estandarte da Ordem de Santiago, num modelo compositivo muitas vezes repetido.

O comendador D. João Mascarenhas encomendou um grande retábulo para a igreja matriz em 1532. A obra foi morosa e, em 1554, já estava colocado do lado norte da igreja, mas ainda carecia da aplicação de cores. O painel principal é dedicado ao Calvário, mas a predela contém a representação de Santiago Matamouros, a cavalo, com espada e estandarte da Ordem de Santiago nas mãos, que ataca um conjunto de infiéis, um delesde turbante. Conserva-se um segundo painel deste retábulo, dedicado ao Pentecostes, onde também se destaca a figura de Santiago, com os atributos de peregrino.

Castelo de Mértola

Castelo de Mértola
Desfrutando de posição estratégica privilegiada, na confluência da ribeira de Oeiras com o rio Guadiana, o castelo de Mértola desempenhou papel essencial na Idade Média, tanto do lado muçulmano como do lado cristão. As origens, contudo, parecem ser romanas, altura, em que se definiu um primeiro reduto defensivo. Na época islâmica, a cidade foi o mais importante porto fluvial do Guadiana, por aqui passando homens e cargas entre Mérida e o oceano Atlântico. A ocupação islâmica foi em crescendo a partir do século IX, a ponto de Mértola ter sido capital de um pequeno reino independente nas décadas de 30 e 40 do século XI e, de novo, em meados do século XII. Integrada no bloco almóada em finais deste século, foi objeto de grandes melhoramentos, como demonstra a entrada em cotovelo da fortaleza, típica dos sistemas defensivos muçulmanos. A cidade foi conquistada pelos cavaleiros da Ordem de Santiago em 1238 e, pouco depois, reconhecendo a relevância da cidade como ponto de apoio às conquistas do Algarve, os espatários instalaram aqui a sua sede, estatuto que se prolongou até 1316. Foi o mestre da ordem de Santiago D. Paio Peres Correia que passou foral à localidade em 1254. E foi outro mestre, D. João Fernandes, que, ao redor de 1292, promoveu a construção da torre de menagem do castelo, que ainda hoje subsiste e se eleva a quase 30 metros de altura.

Ermida de Nossa Senhora das Neves

Ermida de Nossa Senhora das Neves
Na localidade da Mesquita, concelho de Mértola, ergue-se uma ermida no cimo de um monte cuja construção remonta ao período da pré-reconquista. A partir dos séculos VIII-IX denotamse os primeiros sinais de sacralização. Através de uma coluna de mármore existente no local podemos observar a data da sua construção. Apesar da sua sacralização, existem vestígios arqueológicos no campo arqueológico de Mértola que apontam que este lugar teria sido também mesquita na altura paleocristã. As primeiras informações datam de 1515, por um visitador da Ordem de Santiago. Esta igreja, que tinha alguma importância ao nível do seu espólio, ficou por se conhecer até aos dias de hoje. Sabe-se pela sua descrição que se contavam três altares, um dedicado a S. Bento, outro dedicado a S. Bartolomeu e o altar-mor dedicado a Nossa Senhora das Flores, a padroeira da ermida. Mais tarde, esta igreja seria consagrada a Nossa Senhora das Neves, e ainda hoje podemos observar a sua imagem no centro do altar-mor, datada do século XVIII.

e também…

Maio − Festival Islâmico

Junho − Festas da Vila de Mértola

Outubro − Feira da Caça

Birdwatching

O Parque Natural do Vale do Guadiana/Casa do Lanternim é a entidade local responsável pela gestão da área do Parque Natural, dando pareceres de caráter vinculativo em muitas dimensões da atividade turística. A sede do PNVG é ainda um posto de informação importante sobre as atividades de turismo de natureza e recursos/valores naturais do território.

Deixando Mesquita, seguem-se 4 km por estrada alcatroada, em direção ao sítio de Colgadeiros. Continuamos à direita pelos campos, onde nos acompanham inúmeras perdizes em correrias tontas.

Após quase 5 km, com a aldeia de Roncanito à direita, repomos energias num acolhedor café em Boavista, que deixamos por terra batida, nosentido de Roncão de Cima. O caminho continua durante 2,5 km até ao centro de Lombardos, aldeia com algumas instalações de apoio.

De Lombardos percorremos 1,5 km, por trilhos de terra batida, até um amplo miradouro sobre o majestoso rio Guadiana. Descemos uma acentuada ribanceira até às margens do “Rio dos Patos” e, se formos com atenção, para além daqueles avistamos todo um universo de aves que fazem as delícias dos amantes do birdwatching. Estamos na foz de uma ribeira cujos caudais sobem e descem diariamente ao sabor das marés do Guadiana. Seguindo pela esquerda, encontramos uma ponte e um açude que nos permitem atravessá-la e aceder à Herdade da Bombeira. Seguimos Caminho ao longo de 18 ha de vinha, sempre a bordejar o Guadiana. Já fora da Herdade, continuamos a seguir o rio, num trajeto também marcado com sinalização do percurso pedestre “PR1”, subindo depois entre colinas até chegar ao Poço dos Dois Irmãos, imediatamente antes do cruzamento com a estrada de alcatrão (IC27). Continuamos pela IC27 com algum cuidado, pois aqui o trânsito já é significativo e as bermas estreitas e, passados 1,7 km, estamos às portas desta vila-museu de Mértola.

Distância 25 km


Altitude máxima 182 m


Altitude mínima x


Subida acumulada 636 m


Descida acumulada -724 m


Duração 6h15m


Dificuldade (0-5) 3

Atravessamos a ponte onde borbulham as correntes da ribeira de Oeiras e subimos a encosta pela direita, ao longo da muralha sul, contornando a cidadela protegida no interior da fortificação.

Quase no centro da vila, dirigimo-nos por uma viela, à esquerda, até ao Posto de Turismo. Aqui, é imperativo buscar toda a informação disponível, pois não vai querer seguir Caminho sem ter a oportunidade de conhecer em profundidade tudo o que esta antiga sede da Ordem de Santiago tem para revelar e que não cabe aqui descrever. Em Mértola vai sentir-se bem e ser bem servido.

Dicas

Leve sempre água, mantimentos,protetor solar, chapéu, impermeável, calçado confortável e um mapa.

Apoio

 CTT

 Banco / ATM

 Posto de Informação Turística de Mértola
+351 286 610 109

 Táxis

Entidades Municipais

 Câmara Municipal de Mértola
+351 286 610 109

 Junta de Freguesia Mértola
+351 286 612 420

 Junta de Freguesia de Espírito Santo
+351 286 675 250

Saúde

 Centro de Saúde de Mértola
+351 286 610 900

 Farmácia

Pontos de Interesse

 Igreja Paroquial de S. Miguel do Pinheiro

 Igreja Paroquial do Espírito Santo

 Circuito patrimonial e Museu de Mértola

 Património histórico cultural de Mértola: Ordem de Santiago

 Ermida de Salvador, atual núcleo museológico do Mosteiro

 ICNF – Parque Natural do Vale do Guadiana/Casa do Lanternim Sede do PNVG

 Parque Natural do Vale do Guadiana

 Pulo do lobo

 Rio Guadiana

CONTACTOS ÚTEIS

Emergência: 112
Incêndios Florestais: 117
Bombeiro Voluntários de Mértola: +351 286 610 010
Guarda Nacional Republicana: +351 286 612 127
Proteção Civil de Mértola: +351 286 610 100

CÓDIGO DE CONDUTA

Não saia do percurso marcado e sinalizado. Não se aproxime de precipícios. Preste atenção às marcações. Não deite lixo orgânico ou inorgânico durante o percurso, leve um saco para esse efeito. Se vir lixo, recolha-o, ajude-nos a manter os Caminhos limpos. Cuidado com o gado, não incomode os animais. Deixe a Natureza intacta. Não recolha plantas, animais ou rochas. Evite fazer ruído. Respeite a propriedade privada, feche portões e cancelas. Não faça lume e tenha cuidado com os cigarros. Não vandalize a sinalização dos Caminhos.