Caminho Nascente

Estremoz < > Sousel

Etapa 12

Vila com grande apelo histórico da idade média, Sousel é um verdadeiro concelho com história,a mesma que ajuda a explicar as origens do seu nome, envolto em grande controvérsia. Para muitos, a origem está na frase proferida por D. Nuno Álvares Pereira, condestável do reino ao tempo de D. João I – “Ora Sus a Ell” – em 1834, em oração aquando da batalha de defesa contra os castelhanos. Para outros, o nome é proveniente do funcho Seseli, que nasce selvagem pelos campos.

Documentada desde meados do século XIII, é no entanto fictícia a tradição que aponta para que a fundação da localidade tenha sido realizada por D. Nuno Álvares Pereira. A vila foi elevada a sede de concelho no século XVII e data desse período a construção do pelourinho, cuja localização atual não corresponde à original, e que pretendeu imitar um pouco os pelourinhos manuelinos, através de um fuste oitavado, anéis e o remate em pinha. Sabe-se que, em 1940, o pelourinho de Sousel estava desmantelado e que foi reconstruído depois, tendo-sereaproveitado elemento originais.

Segundo a lenda, Sousel foi em tempos assolado por uma grande epidemia. A população, desesperada, orou a São Sebastião e, pouco depois, a epidemia cessou. Agradecidos, os habitantes de Sousel ergueram uma capela em honra de São Sebastião e a imagem do santo passou a ser figura dominante na heráldica municipal. Ainda hoje, no salão da Câmara, existe um baixo-relevo com a figura de São Sebastião e a principal festa celebrava-se também no dia 20 de janeiro, dia daquele santo. Este fundo histórico há muito que se perdeu, e até a heráldica municipal mudou. Mas a discreta capela de São Sebastião, afastada do centro histórico e composta unicamente por nave e capela-mor singelas, permanece como elemento identitário do património souselense.

É D. Nuno que se fala uma vez mais quando nos referimos à Igreja de Nossa Senhora da Ourada que, reza a tradição, terá sido construída no exato local onde Nuno Álvares Pereira se teria recolhido em oração, antes da Batalha dos Atoleiros, travada nas imediações de Sousel, como indica uma inscrição do século XVII.

Uma outra tradição admite que a fundação de Sousel se deveu ao condestável de D. João I, facto que não corresponde à realidade, mas que foi retratado no ciclo azulejar que foi aplicado na nave da igreja.

O templo é ainda de construção gótica, mas desse primeiro fundacional resta apenas parte da abóbada do coro. O aspeto atual do templo data de uma ampla reforma realizada no século XVIII, a que se deve também o retábulo-mor,o púlpito de mármore e, em particular, os painéis de azulejo azuis e brancos.

Antigo Mosteiro de Eremitas de São Paulo

Antigo Mosteiro de Eremitas de São Paulo
O convento de Santo António foi fundado em 1605, a partir de uma ermida dedicada àquele santo que era gerida por uma confraria local. Para aqui transitaram os monges do Convento da Azambujeira (Avis), entretanto encerrado por ordem do capítulo geral da Ordem de São Paulo. O conjunto atual data de uma reforma realizada na primeira metade do século XVIII, altura em que não só se concebeu uma nova igreja, como se recheou o templo com obras de talha dourada, pintura mural e azulejaria, assim contribuindo para um dos mais importantes elementos do património construído de Sousel. Destacam-se os painéis azulejares da capela-mor que retratam episódios da vida de São Paulo Eremita.

e também…

Festival dos Sabores Mediterrâneos − Maio

Benção do Gado e Festa do Bolo Branco − Maio

Festas em Honra de Nossa Sra. da Orada − Agosto

Projeto Museu dos Cristos

O Projeto Museu dos Cristos de Sousel tem como vocação o estudo, a investigação, a documentação, a conservação, a interpretação e a divulgação da coleção de arte sacra que integra o seu acervo. Como missão visa abranger objetivos científicos, culturais, educativos e lúdicos, tendo como finalidade a democratização da cultura, a promoção da cidadania e o desenvolvimento da sociedade.O projeto museológico assenta na coleção de imagens de Cristo, constituída por 1486 peças, na sua maioria crucifixos das mais variadas tipologias, proveniências e épocas. A referida coleção foi adquirida pelo Município de Sousel, em 19 de fevereiro de 1990 à família Lobo, herdeiros do falecido Venceslau Lobo, de Borba. Ao longo dos anos, o espólio foi sendo agrupado pelo próprio antiquário e esteve exposto ao público num armazém em Borba, que o mesmo intitulou de “Museu dos Cristos”.

O ponto de referência para a saída de Estremoz é o caminho nas traseiras do supermercado, situado junto à última rotunda na estrada N18/IP2 em direção a Portalegre. Antes, porém, vale a pena visitar o Palácio da Quinta D. Maria, produtor dos vinhos que levam o mesmo nome, com acesso à esquerda, imediatamente antes da rotunda.

Entrámos em busca de história e sabores, e não desiludiu. Após 2 km, acedemos à estrada que vem da Quinta D. Maria e passamos ao lado do Monte da Granja, um acolhedor espaço de turismo rural. Algumas centenas de metros à frente, desviamos para o caminho vicinal à esquerda, a subir até à antiga linha ferroviária, que vamos encontrar várias vezes durante a etapa de hoje. Um dia, que esperamos próximo, esta linha poderá ser transformada numa ecopista que disporá do melhor percurso entre Estremoz e Sousel.

Seguimos para o sítio da Silveirona, virando à esquerda na direção do Monte do Marmeleiro, indicado pela tabuleta. A estrada percorre 4 km até finalizar junto a pequenos montes, virando à direita para subir a serra, já em modo de terra batida. No alto, temos uma boa panorâmica da região envolvente, continuando depois a descer a vertente norte em direção ao sítio de Cardeal, uma localidade situada perto da fronteira que separa o Alentejo Central da região para onde nos dirigimos, o concelho de Sousel, já no Alto Alentejo. Por montes e quintas, progredimos no vale até às imediações de Sousel, onde entramos pela Rua do Parreiral.

Distância 21 km


Altitude máxima 430 m


Altitude mínima x


Subida acumulada 224 m


Descida acumulada -370 m


Duração 5h15m


Dificuldade (0-5) 3

Como curiosidade relativa a Santiago fica aqui a nota de, na Rua de São Pedro encontrarmos uma casa em avançado estado de degradação que ostenta na fachada duas vieiras encimadas por duas espadas ou bordões, em estilo semelhante ao que também encontramos em Salamanca, sendo corrente afirmar-se que se trata de uma antiga hospedaria destinada a acolher os peregrinos.

A etapa foi curta, pelo que, no Posto de Turismo, tratamos de angariar toda a informação de interesse que nos permita desfrutar dos recursos de Sousel e aproveitar para descobrir o seu património.

Dicas

Leve sempre água, mantimentos,protetor solar, chapéu, impermeável, calçado confortável e um mapa.

Apoio

 Banco/ATM

 Posto de Turismo de Sousel

 Táxis José Delfino Lda
+351 268 539 231

Entidades Municipais

 Câmara Municipal de Sousel
+351 268 550 100

 Junta de Freguesia De Sousel
+351 268 551 220

Saúde

 Centro de Saúde / Hospital
+351 268 550 160

 Farmácia

Pontos de Interesse

 Pelourinho de Sousel

 Igreja do Convento de Santo António, também designada Igreja do Convento dos Paulistas, em Sousel

 Igreja Matriz de Sousel

 Igreja de Nossa Senhora da Orada

 Torre de Camões, aqueduto e tanque anexos

CONTACTOS ÚTEIS

Emergência: 112
Incêndios Florestais: 117
Bombeiros Voluntários +351 268 550 030
Guarda Nacional Republicana Sousel +351 268 554 229

CÓDIGO DE CONDUTA

Não saia do percurso marcado e sinalizado. Não se aproxime de precipícios. Preste atenção às marcações. Não deite lixo orgânico ou inorgânico durante o percurso, leve um saco para esse efeito. Se vir lixo, recolha-o, ajude-nos a manter os Caminhos limpos. Cuidado com o gado, não incomode os animais. Deixe a Natureza intacta. Não recolha plantas, animais ou rochas. Evite fazer ruído. Respeite a propriedade privada, feche portões e cancelas. Não faça lume e tenha cuidado com os cigarros. Não vandalize a sinalização dos Caminhos.