Caminho Central

Almodôvar < > Castro Verde

Etapa 3

Castro Verde começou por ser um pequeno povoado nos imensos campos de Ourique, como esta parte do Baixo Alentejo era conhecida no século XIII. A localização estratégica na rede viária regional levou à sua elevação como município e como comenda da Ordem de Santiago.

Foi também local de destino da transumância vinda de lugares distantes, como a serra da Estrela, chegando sazonalmente à região rebanhos consideráveis que estanciavam na vasta planície que se estendia a sul da aldeia de Entradas. No século XVI, a Ordem de Santiago era a maior proprietária do centro urbano, pois foi nas casas desta ordem, que tinham anexo um grande celeiro, que o rei D. Sebastião ficou alojado em 1573. Terra de mineiros e de trabalhadores na agricultura e nas ganadarias, é de Castro Verde o principal grupo de Cante Alentejano, os Ganhões, formado em 1972 por antigos trabalhadores nas planícies de trigo.

A caminho de Castro Verde

A caminho de Castro Verde

A presença da Ordem de Santiago faz-se sentir na basílica real de Castro Verde. Construída em 1718, substituiu a igreja matriz local; é um grandioso monumento barroco do tempo de D. João V. No interior conserva-se um dos mais importantes conjuntos azulejares do Alentejo, assinado pelo mestre lisboeta P.M.P. e datado de c. 1730. Os painéis da nave foram dedicados aos acontecimentos da Batalha de Ourique (25 de julho de 1139).

Capela de Nossa Senhora dos Remédios

Capela de Nossa Senhora dos Remédios
Inicialmente consagrada às Chagas do Salvador, a igreja passou a ter por orago principal Nossa Senhora dos Remédios, devido a milagres operados por uma imagem da Virgem oferecida em 1630 por um fiel devoto. A construção primitiva do edifício é lendariamente relacionada com um voto feito por D. Afonso Henriques após a vitória na batalha de Ourique, razão pela qual as pinturas que decoram a nave, da autoria do pintor Diogo Magina, retratam os sucessos do primeiro rei português naquela batalha.

 

E ainda que não se conheça o local exato desta batalha, uma tradição fortemente enraizada situa-a em São Pedro das Cabeças, a sudeste de Castro Verde. Para a vitória de D. Afonso Henriques sobre um exército reunido de cinco chefes mouros, principal sucesso militar que contribuiu para a independência do reino de Portugal, terá sido fundamental a aparição de Cristo ao futuro monarca português, na véspera da batalha, episódio retratado no teto da nave da basílica.

As seis composições laterais da capela-mor retratam episódios da vida de Santiago, consumando-se finalmente a relação do sucesso de Ourique com o dia em que a batalha ocorreu: 25 de julho de 1139, dia de Santiago. Encontrada na aldeia de Casével, esta cabeça–relicário medieval fez parte do tesouro da princesa bizantina Vataça de Lascaris, aia da rainha D. Isabel de Aragão e senhora de Santiago do Cacém, onde também promoveu importantes obras. De provável fabrico aragonês, esteve ao culto até finais do século XVII, altura em que o relicário ainda era transportado para os campos de Casével, para benzer o gado que se concentrava nos imensos pastos.

Basílica Real de Castro Verde

Basílica Real de Castro Verde

 

Obelisco alusivo à Batalha de Ourique

Obelisco alusivo à Batalha de Ourique
Erguido em 1792, pelo então provedor régio da comarca de Castro Verde, o obelisco exibe a efígie da rainha D. Maria I e uma inscrição que alude à aparição de Cristo a D. Afonso Henriques na véspera da batalha de Ourique. O monumento foi destruído por um ciclone em 1804 e só voltou a ser reintegrado, no espaço fronteiro à Câmara Municipal de Castro Verde, em 1960.

 

e também...

Festas de Castro − Junho

Feira de Castro

Foi instituída por Filipe II em 1620 e depressa se tornou um dos mais importantes acontecimentos da vida social, económica e cultural do concelho de Castro Verde.

A tradição aqui ainda é o que era e, em outubro, a feira repete-se, à altura do ditado popular que afirma: “Tão certo como a Feira de Castro”.

etapa 3 - central

A partir da Praceta do Poço de Beja, saímos de Almodôvar pela rua da Antiga Estrada de Ourique. O asfalto não vai longe, dando lugar ao macadame no cruzamento que dá acesso ao Monte Fernão Dias, que vale a pena visitar se houver tempo. Seguimos o Caminho por mais 3 km e ficamos paralelos a Corte Zorrinha, um pequeno aglomerado de casas. Mas a etapa é longa, de 30 km, uma distância respeitável que não augura um dia fácil, pelo que teremos de nos focar em chegar a Castro Verde ou, em alternativa, decidir desde já que vamos desfrutando calmamente das vivências que o Caminho nos oferece e que pernoitaremos na aldeia do Rosário, a meia distância. Sucedem-se montes em ruínas e outros em atividade, numa extensa paisagem rural sem ponta de sombra, onde campos cerealíferos convivem com olivais, montado disperso, campos de pasto e até vinhedos. A aldeia de A-dos-Neves surge na altura ideal, seja para um ligeiro descanso ou mesmo para refrescar em dias de mais calor.

Após 3,5 km, chegamos a Rosário, já no município de Castro Verde. Seguimos pela Rua do Lavadouro, atravessamos a estrada nacional N2 e, pela rua do cemitério, dirigimo–nos em direção a Castro Verde por caminho de terra batida. Bordejamos as antigas minas de manganês e ferro do Ferragudo mas, com a construção de casa particular no local, este importante ponto de mineração passa despercebido a quem não vá avisado.

Descemos a colina em direção à linha ferroviária, que passamos em túnel desnivelado e, sempre acompanhados por rebanhos de ovelhas, chegamos ao Monte da Filipeja, onde teremos de estar prevenidos para a eventualidade de alguns cães de pastor se encontrarem à solta. Desviamos para a direita, passamos a portada e vamos abrindo e fechando portadas de arame que são essenciais para condicionar os movimentos das manadas e assegurar a rotação das pastagens.

Distância 30 km


Altitude máxima 303 m


Altitude mínima x


Subida acumulada 476 m


Descida acumulada -519 m


Duração 8h30m


Dificuldade (0-5) 4

Passamos o Monte dos Prazeres, donde já se define Castro Verde, e descemos para a estrada asfaltada, que atravessamos continuando a seguir o caminho de terra do lado oposto. Para a direita, ao longo de pouco mais de 2 km, poderíamos seguir até à ermida de S. Pedro das Cabeças onde, reza a lenda, ocorreu a mítica Batalha de Ourique.

Atravessamos a ribeira sobre uma passagem em lajes de pedra maciça e seguimos pelo olival até à estrada rural que nos vai levar a uma das entradas de Castro Verde. Pelo meio registamos, à esquerda, uma antiga propriedade, a “Horta da Ordem”, que ostenta orgulhosamente a inicial “S” de Santiago no portão frontal. Pela rua do Cemitério, viramos à direita na rotunda e subimos a Rua dos Ciprestes e depois a Rua Dr. António Francisco Colaço, continuando para a esquerda pela Rua D. Afonso Henriques. A etapa termina frente à Igreja das Chagas do Salvador, junto da qual se situa o Posto de Turismo.

Dicas

Leve sempre água, mantimentos,protetor solar, chapéu, impermeável, calçado confortável e um mapa.

Saúde

 Centro de Saúde de Castro Verde
+351 286 320 140

 Farmácia

Entidades Municipais

 Câmara Municipal de Castro Verde
+351 286 320 700

 Junta de Freguesia do Rosário

APOIO

 CTT

 Táxis

 Supermercado

Pontos de Interesse

 Igreja da Misericórdia

 Igreja Matriz Casével

 Igreja das Chagas do Salvador/Nossa Senhora dos Remédios

 Basílica Real de Nossa Senhora da Conceição

 Ermida de São Pedro das Cabeças

 Ermida de São Miguel Casével

 Ermida de São Sebastião

 Obelisco em memória da Batalha de Ourique

CONTACTOS ÚTEIS

Emergência: 112
Incêndios Florestais: 117
Bombeiros Voluntários de Castro Verde: +351 286 320 020
Guarda Nacional Republicana: +351 286 320 080

CÓDIGO DE CONDUTA

Não saia do percurso marcado e sinalizado. Não se aproxime de precipícios. Preste atenção às marcações. Não deite lixo orgânico ou inorgânico durante o percurso, leve um saco para esse efeito. Se vir lixo, recolha-o, ajude-nos a manter os Caminhos limpos. Cuidado com o gado, não incomode os animais. Deixe a Natureza intacta. Não recolha plantas, animais ou rochas. Evite fazer ruído. Respeite a propriedade privada, feche portões e cancelas. Não faça lume e tenha cuidado com os cigarros. Não vandalize a sinalização dos Caminhos.