Caminho Central

Santa Cruz < > Almodôvar

Etapa 2

Saindo de Santa Cruz a paisagem transforma-se. À nossa frente estende-se agora, a perder de vista, o relevo suave da planície ondulada do Baixo Alentejo. As vistas alargam-se e antevê-se uma etapa tranquila, propícia à contemplação.

Sucedem-se extensas searas em propriedades não cercadas, como já é raro observar no Alentejo, emolduradas por magníficas azinheiras seculares, sobreiros e plantações de pinheiro manso. Ao longo das quatro estações a paisagem vai tomando diferentes tonalidades, sendo que na primavera explode numa profusão de cores, de ervas e arbustos floridos, e no outono não impressiona menos quando logo após as primeiras chuvas desponta um coberto verde vivo sobre a espessa terra vermelha.

É também o domínio do pastoreio, onde começam os chamados “Campos de Ourique”, que acolhiam a ancestral transumância anual, que percorria centenas de quilómetros desde a Serra da Estrela. É frequente cruzarmo-nos com rebanhos de ovelhas curiosas, cujas crias se acercam sem medo, para deleite do viajante.

Almodôvar

Esta segunda etapa termina em Almodôvar, vila e concelho, que oferece inúmeros atrativos culturais, gastronómicos e turísticos em geral.

Devido à sua localização estratégica entre o Alentejo e o Algarve, até meados do século passado Almodôvar foi importante entreposto comercial e polo de artesãos que se dedicavam a uma imensa variedade de artes e ofícios, onde preponderavam os sapateiros (ver a enorme escultura de homenagem ao sapateiro de autoria de Aureliano Aguiar, na Rotunda do Sapateiro).

Na origem (1239), a mata de Almodôvar era o limite ocidental das possessões que a Ordem de Santiago tinha em Mértola. A vila só passou a deter centralidade regional a partir de 1285, data do primeiro foral de Almodôvar, doado pelo rei D. Dinis. A partir de 1297, a vila foi integrada na Ordem de Santiago, que aqui estabeleceu uma comenda até ao final do século XVIII. Terra da viola campaniça e do cante alentejano, Almodôvar é ainda um centro de fabrico tradicional de calçado.

Ponte de Cobres e poço

É possível que a ponte tenha origem romana, pois Almodôvar implantou-se na proximidade de uma antiga via imperial que ligava Alcácer do Sal ao Algarve. A atual configuração da ponte é medieval, como indica o seu tabuleiro em cavalete. A primeira referência é de 1375 e, até à revolução viária do século XIX, era por aqui que se partia de Almodôvar para sul ou se chegava à vila vindo do Algarve ou de Mértola. O acesso ao centro seguia a atual Rua da Ponte Romana.

Convento de Nossa Senhora da Assunção

Atual posto de turismo de Almodôvar, o convento franciscano de Nossa Senhora da Assunção teve origem numa pequena ermida, que já existia em 1630. Meio século mais tarde, por patrocínio de Fernando Guerreiro, homem de prestígio local, que se fez sepultar em campa rasa diante do altar-mor da igreja conventual, promoveu a constituição de um convento, o único da história de Almodôvar.

 

Igreja matriz de Rosário

Igreja matriz de Rosário
Edifício exteriormente modesto,o seu interior é um verdadeiro catálogo de devoções, tal a quantidade e qualidade da pintura mural que, em inícios do século XVIII, foi aplicada às paredes laterais. Entre os muitos santos representados, salienta-se uma pintura alusiva a Santiago, na sua qualidade de Matamouros: a cavalo, com a espada desembainhada e escudo com a cruz da Ordem de Santiago, combatendo sem piedade os infiéis.

Igreja matriz de Santo Ildefonso

Igreja matriz de Santo Ildefonso
A igreja já existia em 1320, mas o atual aspeto grandioso de igreja-salão data de uma reconstrução integral, ocorrida em finais do século XVI e sob projeto do arquiteto régio Nicolau de Frias. A encomenda foi da Ordem de Santiago, cujo comendador local em 1592, D. Diogo de Castro, ordenou que a obra fosse terminada.

e também...

Mercado Medieval de Almodôvar − Abril

FACAL − Julho

Feira do Cogumelo e do Medronho − Novembro

Museu da Escrita do Sudoeste

O Museu da Escrita do Sudoeste espelha o ponto de partida para o entendimento da história e mostra a forma ancestral que os povos que habitavam este território há mais de 2500 anos usavam para comunicar. A exposição apresenta, de forma didática, funcional e estética, a evolução da grafia e do conhecimento escrito, e aqui é possível contemplar estelas em pedra epigrafadas com a escrita mais antiga da Península Ibérica.

etapa 3 - central

Escassas quintas e montes de pedra e taipa, alguns em completa ruína, atestam a dispersa ocupação humana, sobretudo para apoio agrícola dos proprietários e trabalhadores residentes em Almodôvar e outras aldeias em redor. Na zona da “Dadorde” descobrimos que era afinal lugar da Quinta “Da Ordem” (de Santiago), agora parcialmente recuperada para habitação de lazer. Recentemente alguém reergueu uma cruz metálica ali achada, onde provavelmente muitos outros vestígios históricos ainda estão por descobrir.

Sensivelmente a meio da etapa passamos no Monte João Dias, onde os escassos residentes nos acolhem com simpatia e connosco partilham do pouco de que dispõem. Daqui em diante seguimos por um caminho antigo, agora reaberto, até atravessar a ribeira e percorrer mais 3 km até à aldeia de Guedelhas para beber um café ou algo mais substancial.

A seguir a Guedelhas, o Caminho entronca com o único troço em estrada (2 km) da etapa, para logo virar à direita para novo caminho rural no sentido do Monte de Pero Guerreiro (a toponímia a revelar as raízes históricas) e, de monte em monte, incluindo um “molha-pés” na travessia da ribeira de Oeiras (Moinho do José Caetano), caso transporte água suficiente para o efeito, acercamo-nos de Almodôvar.

Distância 20 km


Altitude máxima 331 m


Altitude mínima x


Subida acumulada 372 m


Descida acumulada -399 m


Duração 5h00m


Dificuldade (0-5) 3

Etapa 2 - central

Ao tornear uma derradeira colina, Almodôvar surge à vista como um oásis branco, resplandecente, encaixado no vale da ribeira de Cobres, e a descer aceleramos o passo entusiasmados com a previsão de uma refeição mais saborosa ou de um sono mais confortável do que aqueles que tivemos nos últimos dois dias.

O Caminho desemboca na estrada 267 e está sinalizado para seguir pela esquerda, entrando na vila pela ponte nova sobre a ribeira de Cobres e seguindo até à Igreja Matriz de Almodôvar. No entanto, caso queira ter a experiência de atravessar a ponte antiga (medieval mas construída no local de outra de origem romana), deverá virar à direita e denovo a cerca de 100 metros à esquerda. Atravessada a ponte não terá dificuldade de encontrar o caminho até à Igreja Matriz.

Dicas

Leve sempre água, mantimentos,protetor solar, chapéu, impermeável, calçado confortável e um mapa.

Saúde

 Centro de Saúde de Almodôvar
+351 286 660 200

 Farmácia

Entidades Municipais

 Câmara Municipal de Almodôvar
+351 286 660 600

 Junta de Freguesia de Almodôvar e Graça de Padrões
+351 286 662 563

APOIO

 CTT − Posto Almodôvar

 Posto de Turismo e Espaço Internet

ALERTAS

Entre Santa Cruz e Almodôvar não encontrará qualquer ponto de abastecimento ou apoio, com exceção da hospitalidade dos residentes do Monte João Dias e do Café Sequeira em Guedelhas (Tel. 286 662 430), pelo que convém ir prevenido com o que achar por conveniente para a extensão da etapa. O Café poderá preparar refeições se avisado previamente.

Pontos de Interesse

 Convento de Nossa Senhora da Conceição

 Igreja Matriz de Santo Ildefonso

 Igreja Paroquial de Nossa Senhora do Rosário

 Igreja Paroquial de Santa Cruz

 Museu da Escrita do Sudoeste

 Museu Municipal Severo Portela

 Museu Arqueológico e Etnográfico Manuel Vicente Guerreiro

CONTACTOS ÚTEIS

Emergência: 112
Incêndios Florestais: 117
Bombeiros de Almodôvar: (+351) 286 660 140
GNR – Posto Territorial de Almodôvar:(+351) 286 660 051

CÓDIGO DE CONDUTA

Não saia do percurso marcado e sinalizado. Não se aproxime de precipícios. Preste atenção às marcações. Não deite lixo orgânico ou inorgânico durante o percurso, leve um saco para esse efeito. Se vir lixo, recolha-o, ajude-nos a manter os Caminhos limpos. Cuidado com o gado, não incomode os animais. Deixe a Natureza intacta. Não recolha plantas, animais ou rochas. Evite fazer ruído. Respeite a propriedade privada, feche portões e cancelas. Não faça lume e tenha cuidado com os cigarros. Não vandalize a sinalização dos Caminhos.