Caminho Central

Santarém < > Golegã

Etapa 18

Disse José Saramago, após o seu périplo que deu origem à obra Viagem a Portugal, que “o fim de uma viagem é apenas o começo de outra. É preciso ver o que não foi visto, ver outra vez o que se viu já, ver na primavera o que se vira no verão, ver de dia o que se viu de noite… É preciso voltar aos passos que foram dados, para os repetir, e para traçar caminhos novos”. Falasse ele em sentido figurativo e dir-se-ia estar a referir-se aos Caminhos de Santiago, de que não há notícia que tenha percorrido mas que, coincidentemente, atravessam a Azinhaga, aldeia ribatejana onde José Saramago nasceu em 1922.

Azinhaga

“No meio da paz noturna, entre os ramos altos da árvore, uma estrela aparecia-me, e depois, lentamente, escondia-se por trás de uma folha, e, olhando eu noutra direção, tal como um rio correndo em silêncio pelo céu côncavo, surgia a claridade opalescente da Via Láctea, o Caminho de Santiago, como ainda lhe chamávamos na aldeia.”

Da autoria do escultor Arnaldo Ferreira e datada de 2009, a estátua em bronze de José Saramago evoca a figura do único escritor português a ganhar o prémio Nobel da Literatura (1998), que nasceu em Azinhaga e aqui passou parte da sua juventude. Na praça central da vila, José Saramago (1922-2010) está sentado num banco, como que observando a vida da localidade que se desenrola sob o seu olhar atento. A passagem pela Azinhaga pode ser enriquecida com a visita às ruínas da capela de S. Sebastião. Em 1570, grassando a peste, os habitantes de Azinhaga ergueram uma capela dedicada a São Sebastião, santo protetor contra aquela epidemia. Muito modificada no século XIX, está atualmente em ruínas. A capela de São José, datada do século XVII, tem a particularidade de o sino ser ainda original e ostentar o nome do seu promotor (Gaspar Serrão, 1634), possivelmente um destacado habitante de Azinhaga que terá vivido no paço fronteiro ao templo, hoje conhecido por solar da família Serrão de Faria. Também a Igreja de Nossa Senhora da Conceição, matriz de Azinhaga, é um local de visita obrigatória. Documentada desde 1297, a igreja preserva ainda as coberturas medievais dos absidíolos. Em finais do século XVI, o templo foi substancialmente transformado pela Ordem de Cristo, que aqui estabeleceu comenda. O edifício ganhou monumentalidade, bem como o elegante interior com arcarias delgadas nas naves e a cobertura de caixotões em pedrana capela-mor. Até ao final do século XVIII, a igreja foi enriquecida com elementos artísticos e devocionais, de que se salientam os retábulos de talha policromada.

Capela de São José - Azinhaga

Capela de São José – Azinhaga

 

Golegã

Ponto de passagem obrigatório para quem atravessava o norte da lezíria ribatejana, uma antiga tradição admite que a origem da Golegã foi uma albergaria para viajantes e peregrinos, servida pela capela dedicada a Nossa Senhora da Albergaria.

No século XVI, o património da Misericórdia local constituiu-se ao redor de uma albergaria que existia nas imediações da igreja de São José. A Igreja Matriz da Golegã é uma das mais importantes igrejas manuelinas e sede da comenda local da Ordem de Cristo. A matriz da Golegã foi construída após 1501, provavelmente pelo arquiteto Boytac (Boitaca), primeiro autor do Mosteiro dos Jerónimos, em Lisboa.

A feição atual do templo é resultado de um profundo restauro realizado no século XX, altura em que se removeram retábulos de talha dourada, que haviam enriquecido a igreja no tempo barroco, e se introduziram painéis de azulejo provenientes do Convento da Graça, em Santarém.

Casa-Estúdio José Relvas

Casa-Estúdio José Relvas
O chalet que foi residência, laboratório e estúdio do fotógrafo José Relvas foi construído entre 1871 e 1875 e integralmente restaurado entre 2002 e 2007. É uma casa-museu singular, que evoca a importância da obra fotográfica do seu promotor, mas também o seu gosto eclético neomedieval e neomanuelino. No segundo piso, o estúdio de fotografia privilegiou o uso do ferro e do vidro, sendo a luz controlada por processos mecânicos de escurecimento das janelas.

e também…

Expo Égua − Maio

Olé Golegã − Setembro

Feira Nacional do Cavalo

Foi em meados do século XVIII que nasceu a Feira da Golegã, até 1972 conhecida como Feira de S. Martinho, data a partir da qual passou a Feira Nacional do Cavalo. Aqui, apresentam-se todos os criadores e transacionam-se os melhores puro-sangue, vendidos para o mundo inteiro. A Golegã há muito que passou a ser a Capital do Cavalo e, aqui, em novembro, é apresentado, através de ralis, raids, jogos equestres e exibições, exemplares de um dos mais belos animais do mundo: o cavalo.

Antes de avançar até à próxima etapa dos Caminhos de Santiago, a Golegã, temos de nos convencer a deixar para trás o belíssimo varandim panorâmico das Portas do Sol, com o miradouro integrado nas antigas muralhas de Santarém, viradas para o Tejo e para os vastíssimos campos ribatejanos. 

Avançamos para a oculta Porta de Santiago, perto da igreja da Alcáçova, e descemos a encosta em direção ao Tejo, ao longo da calçada de Santiago, com algum grau de dificuldade. No bairro ribeirinho da Ribeira de Santarém, onde se situa a estação ferroviária, encontramos a Igreja de Santa Iria, que exibe uma escultura em madeira de um Cristo negro crucificado mas pregado à cruz apenas por um braço. 

Atravessada a pequena ponte medieval de Alcorce vamos novamente ao encontro dos campos férteis da lezíria do Tejo, numa sucessão de extensas quintas, valas e ribeiras que emprestam um cenário rural bucólico e lamacento à nossa progressão pelo Caminho.

É uma etapa igualmente extensa e plana, como a anterior, sem dificuldades dignas de assinalar, que atravessa as aldeias de Vale de Figueira e de Azinhaga. “Galega” seria o nome dado a uma venda existente no lugar onde nasceu esta vila ribatejana, e de “Venda da Galega” terá resultado Golegã. Sítio então muito frequentado pela passagem de viajantes de Santarém para norte, nomeadamente pela via romana que ligava Lisboa a Braga, através de Tomar. Talvez por isso o cavalo tenha assumido papel central, com o vinho e os touros.

Em novembro, a mais importante Feira Nacional do Cavalo do país atrai milhares de visitantes que aproveitam para brindar a São Martinho com castanhas e água-pé. 

Distância 32,1 km


Altitude máxima 111 km


Altitude mínima x


Subida acumulada 204 km


Descida acumulada -287 km


Duração 8h00m


Dificuldade (0-5) 3

Etapa 18 - Central

A etapa termina junto à Igreja Matriz, adornada com pórtico manuelino ricamente esculpido, frente à qual passava a antiga Estrada Real entre Lisboa e o Porto. Logo atrás fica a loja do Turismo, onde poderá informar-se das diversas opções para a sua estadia, que se ampliam a cada ano com novas ofertas de hostels e outras unidades de alojamento especialmente preparadas para os peregrinos e viajantes a Compostela.

 Se o ânimo o permitir, não deixe de visitar o Museu de Fotografia da Casa José Relvas, onde se encontra um estúdio único no mundo dos primórdios da captação de imagens, e o Centro Cultural Equuspolis onde tudo gira à volta do cavalo.

Dicas

Leve sempre água, mantimentos,protetor solar, chapéu, impermeável, calçado confortável e um mapa.

Apoio

 CTT

 Banco/ATM

 Posto de Turismo da Golegã

 Táxis Golegã
+351 249 976 459

 Parque de Campismo da Golegã

Entidades Municipais

 Câmara Municipal da Golegã
+351 249 979 050

 Junta de Freguesia da Azinhaga
+351 249 957 140

 Junta de Freguesia da Golegã
+351 249 976 279

 Junta de Freguesia do Pombalinho
+351 249 459 401

 Casa do Povo do Pombalinho
+351 243 459 12

 Santa Casa da Misericórdia da Azinhaga
+351 249 957 129

 Santa Casa da Misericórdia da Golegã
+351 249 979 11

Saúde

 Centro de Saúde da Golegã
+351 249 979 180

 Farmácia

Pontos de Interesse

 Capela São José

 Igreja Matriz de Azinhaga

 Igreja Matriz da Golegã − Nossa Senhora da Conceição

 Igreja Matriz do Pombalinho

 Reserva da Biosfera do Paul do Boquilobo

 Quinta da Cardiga

 Casa-Estudio Carlos Relvas

 EquusPolis − Museu Municipal Martins Correia

 Fundação José Saramago

 Museu Municipal da Máquina de Escrever

 Museu Rural

 NMCPGP − Núcleo Museológico do Centro Português de GeoHistória e PréHistória

CONTACTOS ÚTEIS

Emergência: 112
Incêndios Florestais: 117
Bombeiros Voluntários da Golegã: +351 249 979 070
Guarda Nacional Republicana: +351 249 979 030

CÓDIGO DE CONDUTA

Não saia do percurso marcado e sinalizado. Não se aproxime de precipícios. Preste atenção às marcações. Não deite lixo orgânico ou inorgânico durante o percurso, leve um saco para esse efeito. Se vir lixo, recolha-o, ajude-nos a manter os Caminhos limpos. Cuidado com o gado, não incomode os animais. Deixe a Natureza intacta. Não recolha plantas, animais ou rochas. Evite fazer ruído. Respeite a propriedade privada, feche portões e cancelas. Não faça lume e tenha cuidado com os cigarros. Não vandalize a sinalização dos Caminhos.