Caminho Central

Alcácer do Sal < > Casebres

Etapa 11

A presença humana na área que hoje compõe a freguesia de São Martinho, cuja sede se localiza nos nossos dias na aldeia de Casebres, remonta a meados da Pré-História.

Contudo, é só após a conquista definitiva de Alcácer do Sal que a região e os topónimos mais importantes começam a surgir na documentação histórica e que nos nossos dias servem de referência e de orientação geográfica para quem habita este território e para quem nos vista.

Numa breve resenha de âmbito cronológico, e tendo em conta que durante os milénios correspondentes à Pré e Proto-Histórica grande parte da população era reduzida em termos de expressão populacional e também nómada na maior parte das vezes, só a partir do Período Romano, ou seja, nos últimos 2000 anos, temos testemunho de fixação humana de âmbito mais consistente nesta região, que define o espaço que se estende para norte de Alcácer do Sal.

Nessa altura, este vasto território pertencia à cidade romana de Salácia (atual Alcácer do Sal), realidade administrativa e vínculo cultural que se vai, grosso modo, manter durante os cinco séculos no período seguinte, que corresponde à ocupação islâmica nesta região do Baixo Sado.

Por altura da guerra de reconquista deste território para o reino de Portugal, quase sempre debaixo da iniciativa da poderosa Ordem de Santiago, o rei D. Sancho II dá autonomia a Cabrela, até então um dos castelos do município de Alcácer. Isto acontece na década de 20 do século XIII.

Apesar desta criação de nova centralidade à custa de Alcácer do Sal, ambos os municípios continuam a pertencer à poderosa Ordem de Santiago no plano administrativo, tendo de partilhar, no espiritual, alguns aspetos e dízimos com o Bispado e Arcebispado de Évora. Em termos de registo documental, temos para o século XIII, num período de algumas décadas após a conquista definitiva de Alcácer (1217), a existência da Comenda da Bemposta. Foi doada pela Ordem de Santiago a Maria Martins, a Navarra e rendia 100 libras.

Pouco depois surge a referência a São Martinho, patrono e topónimo da atual Freguesia e da ribeira que atravessa este território.

Durante séculos, a igreja paroquial ficava no sítio denominado “Freguesia” e que hoje, em virtude dos arranjos administrativos do século XIX, ficou no vizinho município de Montemor-o-Novo. Os livros paroquiais mais antigos datam de 1651.

Como nota final, alguns elementos de natureza histórica referentes à igreja, eremitério e hospício de nossa Senhora da Serrinha, que é nos dias de hoje o mais importante monumento religioso da Freguesia. De frisar que é o único eremitério conhecido que a Ordem dos Carmelitas Calçados teve no Município de Alcácer do Sal, assim como em território da Ordem de Santiago. Existem alguns indícios de natureza documental que sugerem a existência desta ermida em 1594. Mas certezas temos para 1729, altura em que com base nos documentos conhecidos este eremitério é referido pela primeira vez.

A igreja atual, hospício e casas anexas nasceram da iniciativa piedosa do alcacerense Francisco de Matos e sua família, tendo as obras tido início em 1739. Todo este espaço religioso foi cedido a uma comunidade religiosa da Ordem dos Carmelitas Calçados e Terceiros. A igreja paroquial de São Martinho foi desativada em data ainda indeterminada de meados do século XIX ou XX.

A sede da freguesia de São Martinho passou para a aldeia de Casebres, no dia 8 de dezembro de 1966.

Em Casebres, tal como no restante Alentejo, os trabalhos são essencialmente agrícolas como a tiragem de cortiça, apanha do tomate e da pinha, plantação e corte de eucalipto, esgalha de árvores e restantes trabalhos agrícolas e florestais.

Algumas das pessoas mais idosas, nomeadamente os homens, executam trabalhos relacionados com o gado, a pastorícia, a ordenha e a tosquia. Uma baixa percentagem da população trabalha em fábricas e serviços existentes nos concelhos limítrofes. A gastronomia desta freguesia goza da riqueza de condimentos da cozinha alentejana. No entanto, aqui é especialmente apreciado o Ensopado de Borrego, a Açorda de Alho, e as Migas com Entrecosto. A doçaria artesanal baseia-se nos ingredientes que a região oferece, pelo que se destacam as pinhoadas, os bolos de pinhão e mel, os copos de pinhão e os bolos de mel.

Apesar de não existirem estruturas organizadas de vocação turística, esta freguesia congrega turistas nos seus espetáculos ao ar livre, bailes e festas populares. Igualmente de interesse turístico, são as albufeiras da Bemposta e da Azenha Pintada, que estimulam os amantes de pesca e piqueniques.

A aldeia de Casebres, dentro das suas características de traça alentejana e do seu sossego, é um local de eleição para aqueles que procuram a calma e serenidade alentejana.

e também…

Festas religiosas em honra de São Martinho − Maio

Festa de São João − Junho

Festa da Alegria − Agosto

“Meia-Noite” de Natal

Nesta noite, a tradição, inédita no país, repete-se em Casebres, onde os jovens saem de casa e ocupam os montes abandonados, levando consigo peru, bebida e os temperos para fazer uma receita.

A saída de Alcácer do Sal para norte afigura-seuma tarefa difícil para quem se desloca a pé ou de bicicleta. “Cercada” entre uma auto-estrada (A2) e uma via rápida (IC1), na qual conflui a rua da saída norte (N5), e enclausurada por extensas propriedades privadas que preenchem os espaços entre aquelas vias, não se vislumbram soluções demobilidade em boas condições de segurança para as formas mais sustentáveis de deslocação, que são a caminhada e a bicicleta.

Ainda assim, o itinerário definido minimiza aqueles impactos, o qual se inicia com o atravessamento da Avenida dos Aviadores (N5) para nascente, prosseguindo pela Avenida dos Clérigos até ao Bairro do Venâncio. No final da avenida desviamos para a esquerda, para um caminho de terra batida, até ao próximo cruzamento. Abrimos e fechamos a portada de acesso ao terreno em frente, onde a progressão será dificultada pela quantidade de areia solta, e seguimos junto da cerca à direita até encontrarmos o viaduto de passagem sobre a A2.

Pelo montado adentro vamos ao encontro do portão de entrada na Herdade de Vale de Reis, observando do lado direito uma grande central fotoeléctrica. Ultrapassada a porta d’homem, andamos em frente até encontrarmos à esquerda a descida para as instalações da herdade, um futuro hotel rural, a pouco mais de 1 km. Daqui subimos ao morro da igreja, circundando-a pela esquerda, e prosseguindo pela densa e lindíssima floresta de montado ao longo de 5,5 km, até nova porta d’homem que permite a saída da herdade e o acesso à estrada municipal que nos vai conduzir até Casebres.

Distância 23,1 km


Altitude máxima 86 km


Altitude mínima x


Subida acumulada 342 km


Descida acumulada -304 km


Duração 5h45m


Dificuldade (0-5) 3

etapa 11 - central

Daqui em diante, enfrentamos os 7,5 km que nos faltam com tranquilidade e sem grande esforço, ao longo de uma estrada praticamente plana e sem trânsito, com a biodiversidade por companhia.

Avançamos entre as mesas e bancos do Jardim Municipal e continuamos pelo Largo José Afonso, e reparamos na calma e serenidade desta aldeia de traça alentejana. Os habitantes subsistem do gado, tiragem de cortiça, apanha do tomate e da pinha, plantação e corte de eucalipto, entre outros trabalhos agrícolas. Em novembro, o dia de São Martinho é celebrado com baile, castanhas assadas e água-pé. Visitamos ainda a igreja paroquial de São Martinho, Priorado da Ordem de Santiago, que aqui estabeleceu uma herdade agrícola. Na Junta de Freguesia estão à nossa espera…

Dicas

Leve sempre água, mantimentos,protetor solar, chapéu, impermeável, calçado confortável e um mapa.

Apoio

 Banco/ATM

Café

 Café Batista

 Café/Restaurante Sabores d’Campo

Entidades Municipais

 Junta de Freguesia
(+351) 265 649 124

ALERTAS

Para questões relacionadas com o alojamento, falar com a Junta de Freguesia.

Pontos de Interesse

CONTACTOS ÚTEIS

Emergência: 112
Incêndios Florestais: 117

CÓDIGO DE CONDUTA

Não saia do percurso marcado e sinalizado. Não se aproxime de precipícios. Preste atenção às marcações. Não deite lixo orgânico ou inorgânico durante o percurso, leve um saco para esse efeito. Se vir lixo, recolha-o, ajude-nos a manter os Caminhos limpos. Cuidado com o gado, não incomode os animais. Deixe a Natureza intacta. Não recolha plantas, animais ou rochas. Evite fazer ruído. Respeite a propriedade privada, feche portões e cancelas. Não faça lume e tenha cuidado com os cigarros. Não vandalize a sinalização dos Caminhos.